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Poema para Ana Carolina de José Luís Peixoto

20.jun

Vídeo de Henrique Rangel – Porto 18 de junho 2017

Ana Carolina: “A música foi mais urgente na minha vida do que a escrita”

20.jun

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Já correu palcos com um espectáculo chamado Sucessos (2010-2013) e agora traz a Portugal um outro denominado Grandes Sucessos, estreado em 2016 no Brasil e que agora subirá aos palcos dos coliseus: esta sexta-feira em Lisboa e domingo no Porto (ambos às 22h). Mas Ana Carolina, cantora e compositora brasileira com presença assídua (e uma legião de fãs) nestas paragens, é mais do que uma soma de canções platinadas pela indústria fonográfica. E é isso que ela mostra, de algum modo, com a publicação do seu primeiro livro, Ruído Branco, em resposta a um desafio da editora Planeta no Brasil e há dias lançado em Lisboa, na Fnac Chiado, pela Planeta Manuscrito. Na capa, uma fotografia dela com ambas as mãos sobre a boca, numa simulação de silêncio. Mas o ruído branco do título extrapola essa imagem. “Ana Carolina conhece bem o indizível, o silêncio, o ruído branco”, escreve José Luís Peixoto no prefácio.

Se Grandes Sucessos não precisa de se explicado, pois Ana Carolina soma tantos, espalhados pelos seus catorze discos (de estúdio, ao vivo e colectâneas), já o livro Ruído Branco necessita de explicação. Perguntaram-lhe, da editora, se não teria alguma coisa escrita guardada, talvez numa caixa, que pudesse ser publicada em livro. E ela, como explicou perante as muitas pessoas que assistiram ao lançamento, ficou “meio assustada” com a ideia. “Na verdade, eu fiz letras até ao quinto período, mas tive de abandonar letras para fazer o meu primeiro disco. A música foi muito mais urgente na minha vida do que a escrita.” Mas a escrita sempre esteve lá, nela, desde cedo, e o livro inclui, a par de fotografias, pensamentos soltos, textos poéticos, letras musicadas de canções ainda por gravar, reproduções a cores de pinturas suas (porque ela também pinta), a reprodução fac-similada de um “Caderninho” com “poesias escritas entre 11 e 12 anos”. Foi mesmo um caderno, feito a partir de um livro real: ela colou folhas escritas por ela nas folhas de um livro impresso, por cima das folhas originais e fazendo desse livro uma obra sua. Isso foi o início. Mas depois há textos poéticos autobiográficos onde ela se expõe mais, cruzando lembranças de viagens (Paris, Amesterdão, Florença) ou de experiências íntimas (os pais, um acidente, sexo e êxtase). “Vou pela rua em passos rápidos/ A criança perdida que fui me persegue”, escreve em “Andaime” (pág. 30). Mas a narrativa não é linear, como ela explica: a personagem de um lugar pode surgir misturada na história de outro lugar, o mesmo sucederá com os nomes. Ou experiências. Reais, mas sem correspondência exacta.

“Gosto de coisas esquisitas”

“Eu gosto de fazer coisas esquisitas. Tenho muitas coisas esquisitas no livro”, diz Ana Carolina. Há, por exemplo, apontamentos breves em bocados de papel, talvez post-its ou fragmentos de toalha de restaurante. Como este: “Minha dor é seca/ Choro pra dentro/ Meu choro é infiltração.” Ou este: “Meu problema é não te resolver.”

José Luís Peixoto e o poema

Ana Carolina diz que metade do livro foi escrito depois de lhe proporem escrevê-lo e a outra metade tinha-a guardada, dispersa entre papéis. A edição portuguesa do livro tem prefácio de José Luís Peixoto (que antecede o prefácio da edição brasileira, do também escritor Fabrício Carpinejar). O mote foi dado pelo próprio livro, porque logo no primeiro texto, intitulado “Não leiam”, todo ele escrito na negativa mas verdadeiro, como ela diz, Ana Carolina escreve: “Não nasci em Montreux/ Não me chamo Nicolas Behr/ (…) Nunca atirei uma pedra num lago calmo/ José Luís Peixoto nunca fez uma poesia pra mim.” Etc. Esta última linha foi mostrada ao escritor que, por já admirar o trabalho de Ana Carolina como cantora, aceitou fazer o prefácio, esteve na Fnac Chiado a apresentar o livro e, ali mesmo, leu o tal poema que não existia e passou a existir porque ele o escreveu, intitulando-o “Para Ana Carolina”. A transcrição, feita a partir de uma gravação áudio no local, não segue a forma de poema mas de texto corrido, tentando aproximar na escrita a fonética da leitura pelo autor. Aqui vai:

“Este poema não existe. Sempre que o quis escrever acabei por me perder em jardins. Estas palavras fugiam à minha frente, via-as ao longe e quando chegava lá elas já estavam noutro lado, mais distante e inalcançável. Estas palavras eram o horizonte. Eu analisava o silêncio, sem elas. Imaginava formas nesse silêncio transparente, esculpia sílabas no ar: A-na Ca-ro-li-na. Desfolhava sílabas como pétalas. Mas essa ilusão desfazia-se num sopro. Eu estava na minha vida e tu estavas na tua. Eu estava no meu silêncio e tu estavas no teu. Eu estava nas minhas palavras e tu estavas na tua voz. Então acreditei que, como este poema, Ana Carolina não existia. Talvez fosse apenas uma miragem, um verso que pode ser escrito, uma metáfora para falar da Lua ou de uma possibilidade que nunca se chegou a viver. Mas depois olhei para o lado e estavas aqui, com todas as sílabas: A-na Ca-ro-li-na. Entreguei-te este poema. Afinal, existes. Afinal, o poema existe. Existimos neste tempo. Fomos capazes de escrevê-lo

No final, deu-lhe a folha de papel onde o poema estava escrito. E abraçaram-se em mútuo reconhecimento, com toda a gente a aplaudir. O livro ficou, desactualizado, é verdade, porque diz que José Luís Peixoto nunca escreveu um poema para ela e ele escreveu-o agora. Mas essa é mais uma razão para descobrir este outro lado de uma autora que muita gente só conhece dos discos, dos palcos ou só dos êxitos (sobretudo nas novelas). “Eu entreguei-me muito nisso [o livro], está tudo muito na carne, sangue nos olhos, é muito real, muita exposição mesmo. Só consigo escrever sobre coisas que me aconteceram, não adianta. Não tenho ainda maturidade para escrever sobre um indiano que se apaixona…”

“Um show maravilhoso”

Este outro lado, a partir da escrita, das palavras e da poesia do livro, Ana Carolina está a explorá-lo também num outro tipo de espectáculo, paralelo aos que enchem grandes salas. “É um show maravilhoso. Eu não canto nenhum sucesso e todas as canções são escolhidas a partir das poesias. Então, por exemplo, ‘O Silêncio’ [um dos poemas do livro] é lido por uma actriz do Brasil muito bacana, de que eu muito muito, chamada Camila Morgado. Ela lê e logo depois eu começo a cantar Paula e Bebeto [de Milton Nascimento]: ‘Vida vida que amor brincadeira/ Eles amaram de qualquer maneira,/ Qualquer maneira de amor vale a pena’. Todas as músicas têm a ver com o que eu estou dizendo. O Lázaro Ramos lê o ‘Não Leiam’, que é o primeiro poema do livro. Maria Bethânia, que começa o show, diz ‘Rotatória’. E as canções respondem às poesias. É um espectáculo muito interessante, que eu adoraria trazer a Portugal.”

https://www.publico.pt/2017/06/16/culturaipsilon/noticia/ana-carolina-a-musica-foi-mais-urgente-na-minha-vida-do-que-a-escrita-1775829

Lançamento do livro Ruído Branco em Portugal

12.jun

A cantora e compositora brasileira Ana Carolina estreia-se na literatura com “Ruído Branco”, uma obra de cariz autobiográfico, que inclui poesia, prosa, poesia musicada, e o “caderninho”, que é apresentado na segunda-feira em Lisboa.

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O “caderninho” é o título que Ana Carolina dá a um conjunto de poemas datilografados, que são reproduzidos em ‘fac simile’ (cópia do original), que escreveu entre os 11 e os 12 anos. Em alguns destes são visíveis emendas feitas por Ana Carolina, acrescentos ou alguns apontamentos.

“Ruído Branco” é apresentado na FNAC do Chiado, em Lisboa, na segunda-feira às 18:30, pelo escritor José Luís Peixoto, que assina o prefácio da edição portuguesa, com a chancela da Planeta Editora.

Referindo-se a Ana Carolina como “poeta”, sobre o livro, José Luís Peixoto afirma: “Pode ser que a minha maneira de escrever-lhe tenha sido lê-la”.

Na sequência deste raciocínio, e dirigindo-se aos leitores, Peixoto prossegue: “É esse encontro que as páginas seguintes [do livro] prometem. Nelas, ler e escrever são gestos separados por um espelho. Você é ela. Ela é você. Com muita probabilidade, como me aconteceu a mim, poderá encontrar o seu nome escrito num verso”.

A autora de “Quem de Nós Dois” abre o livro com a seguinte afirmação: “O homem que há em mim se apaixonou perdidamente pela mulher que sou”.

A obra reproduz algumas telas da autora e várias fotografias, na sua maioria de autoria de Nelson Faria, e inclui ainda um prefácio do escritor Fabrício Carpinejar, que defende que um poema de Ana Carolina “sangra ou o poema corta” e repudia qualquer ideia de possam ser “versinhos”, argumentando que a compositora e autora “pode passar o discurso de que não tem nenhuma pretensão”, mas na sua personalidade lírica “não há meio-termo”.

Num texto que fecha a obra, a atriz e escritora Elisa Lucinda, fala de “versos anacarolinicos” que “dão rasantes”.

Sobre a produção poética de Ana Carolina, Elisa Lucinda afirma que “são poemas indigestos qie se jogam das alturas entre poemas desamparados, entre outros de estranha e belíssima formusura”.

“Uma surpresa. Uma garganta arranhando a avenida quando chega”, conclui, para acrescentar que “a poesia de Ana carolina chega cheia de sinceridade ao nosso encalço”.

Ana Carolina, de 43 anos, começou a tocar violão aos 12 anos e iniciou a carreira fonográfica aos 25 anos. Segundo dados da editora portuguesa, vendeu “mais de cinco milhões de discos”, tendo recebido vários prémios internacionais.

https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/ruido-branco-livro-da-cantora-ana-carolina-apresentado-por-jose-luis-peixoto-em-lisboa?artigo-completo=sim

 

TOUR PORTUGAL 2017

08.jun

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23.mar

Ana Carolina, o EP “Ruído branco” e o que se quer ser, ou falar, porque o momento é este

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Extraídas do primeiro lançamento editorial e correspondente show-livro homônimo, as faixas deste EP “Ruído branco – Poesias musicadas“, o primeiro da carreira de Ana Carolina lançado em 10 de março último – uma semana antes do anunciado -, compreendem as quatro poesias musicadas escritas pela cantora, compositora, multi-instrumentista e escritora mineira em “Ruído branco” (Planeta, 2016). Assim como o próprio livro, os versos desfilados em canções tão distintas quanto são as melodias ali embaladas sinalizam os ares e anseios da viagem músico-poético-literária então inédita de Ana por novas paisagens em sua trajetória autoral.

A pele“, simultaneamente disponibilizada em videoclipe no canal YouTube da artista, musica em rap os versos traduzidos como corpo, fundo e medo ocidentais de uma pele que é a do mundo. A pele muda, vária e viva-morta continuamente descrita ao longo do poema testemunha a passagem do tempo e expressões remanescentes de dores – calos de caminho -, autoflagelos e histórias por que o(s) corpo(s) é/são marcado(s). Tudo só vale a pena se cada uma das buscas assinaladas em cada marca valer a própria pele.

Velho piano” é soturnidade. Os recursos sonoros empregados para simular, ou melhor, ambientar o desafinar das teclas de um velho piano sob a água escura verdadeiramente afogam quem ouve no concerto dado por um homem tocando há muitos anos no fundo do mar. Tal como o vídeo reproduzido junto ao poema-canção durante o show, “Velho piano” impressiona pela riqueza de acordes minuciosamente aí conjugados. Ana comanda o toque de todos os instrumentos e programações da faixa.

Qual é?” é crônica googleísta da pós-modernidade ateia imersa em abismos, cinismos, babaquices, fama e suas artificialidades fetichizadas. O líquido sal caído do rosto em meio à fatalidade da vez é ora pranto de amores perdidos no banco de sampler, ora banalidade de uma criatura maldosa do próprio buffer. A melodia indefinida é flexível às diversas facetas das personas assumidas, ou presumidas, por Ana no poema-relato, e dá conta, sonoramente falando, das realidades, traumas, enganos, lembranças, pedaços de vida de quem, hoje, é sua mulher, seu mito, o que absolutamente quiser. “Qual é?” é para quem pode. Junto a “Velho piano“, é uma das melhores canções do EP.

SOM/Ruído branco” é seu poema homônimo declamado e ricamente assinalado pelos diversos sons dos instrumentos descritos entre os versos e suas respectivas intenções descritas, constituindo de fato o espectro sonoro plural traduzido pelo ruído branco em âmbito musical/melódico.

Os novos caminhos trilhados por Ana neste momento dos seus quase 18 anos de biodiscografia não foram casualmente reunidos na brevidade de um registro fonográfico como um EP. A mensagem, curta e incisiva, precisava ser única. E rápida: porque nova é a compreensão da palavra enquanto objeto, e sujeito, do próprio fazer literário, outros também serão os produtos desta catarse, ou catarses. O momento de Ana é este, e a melhor recomendação é saboreá-lo junto a ela. Ou não, caso a identificação não tenha se dado. Ninguém é obrigada/o a nada, mas a mineira não vai mudar sua postura para agradar ninguém.

https://musicartediversao.blogspot.com.br/2017/03/ana-carolina-o-ep-ruido-branco-e-o-que.html
Autor: Thainá Seriz

Veja, ouça, Som (Ruido Branco).

16.mar

Já leu o poema ‘Som (Ruído Branco)’?

Aproveite e assista agora ao primeiro poema musicado do livro. Veja, ouça e experencie ‘Som (Ruído Branco)’:

#ruídobrancoac

“Não vale a pena o que não vale a pele.”

15.mar

Confira o vídeo de ‘A pele’, poema presente no livro ‘Ruído Branco’!
Saiba mais sobre o livro em http://www.ruidobrancoanacarolina.com.br/.
#ruídobrancoac

 

Ruído Branco – EP nas plataformas digitais.

13.mar

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Disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, 10 de março de 2017, uma semana antes do previsto, o EP Ruído branco –  Poesias musicadas (Armazém / Sony Music), de Ana Carolina, tem sutilezas, mas confirma as impressões de quem já ouviu as quatro poesias musicadas no show Ruído branco, em turnê pelo Brasil desde janeiro. As quatro gravações de estúdio seguem, em essência, o formato dos números vistos no show baseado no primeiro livro da cantora, compositora, instrumentista e escritora mineira, também intitulado Ruído branco e lançado em dezembro de 2016 com poemas, pinturas e textos em prosa.
São do livro os quatro poemas que ganharam melodias (de Ana) e/ou sons. Faixa que abre o disco, A pele se desprende mais do show. De início, a voz grave da cantora parece mais declamar os versos do poema entre ruídos e efeitos sonoros. Aos poucos, A pele ganha os contornos de um rap de batida seca que embute sussurros. Já Velho piano – música de Ana que não deve ser confundida com a homônima composição de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, lançada em disco em 1982 em gravações quase simultâneas de Dori e da cantora Elizeth Cardoso (1920 – 1990) – é a faixa do EP que mais se aproxima do padrão convencional da canção. Ainda assim, efeitos sonoros e até um toque dissonante do piano reiteram a boa intenção de Ana de fugir dos códigos da própria obra autoral neste projeto multimídia que já abarca livro, show, disco e clipes (o de A pele foi lançado hoje, simultaneamente com o EP). Nessa faixa, vale ressaltar, a artista toca todos os instrumentos e pilota as programações.
Poema verborrágico, Qual é? é a faixa menos bem resolvida do disco. O ponto fraco. Deixa a sensação de que falta melodia para tantas palavras – como, aliás, o número do show já havia sinalizado. Por fim, Som / Ruído branco resulta muito interessante no disco. É uma poesia declamada, e não musicada, mas os sons inseridos ao longo da faixa, em sintonia com os versos, revestem o poema de grande musicalidade. São sons de sanfona, oboé, fagote, apito e outro instrumentos citados ao longo dos versos da poeta de lírica passionalidade.
No geral, o EP Ruído branco – Poesias musicadas mostra que Ana Carolina está tentando mudar o disco. E, somente por isso, o bom EP já merece ser ouvido com generosa atenção. Que o EP seja o ponto de partida para álbum em que a artista vire o disco e a mesa, dando continuidade a um necessário processo de renovação da obra autoral. (Cotação: * * * 1/2)Mauro Ferreira – http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/post/bom-ep-de-ana-carolina-ecoa-efeitos-e-impressoes-do-show-ruido-branco.html

(Crédito da imagem: capa do EP Ruído branco – Poesias musicadas. Ana Carolina em foto de Nelson Faria)

Trecho de Velho Piano, poema de “Ruído Branco”

02.fev

Velho Piano Quero queimar meu navio Deixar a corda no rio Na cinza da estrada Nada Na água escura Nada é loucura Nem Deus me espera No meio das pedras…

O novo show de Ana Carolina, Ruído Branco.

01.fev

Rodrigo Faour, que assina com Ana Carolina o roteiro do show “Ruido Branco”, escreveu suas impressões na estreia carioca da apresentação, que estará dia 9 de fevereiro no Teatro Santander em SP. Confira:
“Ruído branco” – um show que emociona além do tempo regulamentar.
O novo show de Ana Carolina é diferente de tudo o que se poderia esperar de um “show de Ana Carolina”. Ao invés de se divertir com suas baladas românticas, sambas ou canções dançantes, este exige mais concentração. É para se apreciar atento e senti-lo dentro da alma. Num mundo cada vez mais histérico, maniqueísta e superficial, eis que me deparo com um espetáculo experimental, poético, interiorizado, reflexivo, profundo, em que a gente sai mexido, desnudado, querendo voltar.
Sentadinho na primeira fila do Teatro Bradesco (RJ), esqueci a amiga e me encantei com a Artista com A maiúsculo que estava diante de mim. Uma cantora colecionadora de hits que, aos 18 anos de carreira, teve a coragem de abrir mão de todo o seu repertório e criar algo totalmente novo, expondo pela primeira vez suas inquietações existenciais, motivada pelo seu livro de poemas e reflexões recém-lançado, “Ruído branco”. Pela primeira vez seu “eu” verdadeiro aparece na frente do eu-poético das tantas canções que interpretara até então.
É claro que este mergulho dentro de si não a fez deixar ser expressionista, pois ela nunca foi intérprete de medir ou regular emoções. Elas estão lá – cortantes, fulgurantes –, mas o apelo é outro. E os temas, muito mais diversificados. Com direito também a vídeos idealizados, filmados ou editados por ela. Por mais que já soubesse previamente de todo esse teor multimídia do show – pois acompanhei os ensaios – o impacto de vê-la ali desnudando seus fantasmas, fantasias, dores, amores, paranoias e anarquias acumulados pela vida dessa forma tão criativa – foi de arrepiar.
Logo no poema de abertura, “Rotatória”, declamado por Maria Bethânia, já se vê o teor existencial do show. Ana também abre o próprio livro e recita alguns outros que versam sobre sua ambiguidade sexual (“Eu e eu”), suicídio (“Andaime”) ou sobre o amor por sua companheira (“Pra ela”). Decidiu também musicar alguns que são verdadeiros mosaicos de pura arte pop comparando nosso interior com a nossa carcaça (“A pele”) e a situação caótica do planeta atual (“Qual é”). Mais adiante vamos nos deparar no telão com o ator Lázaro Ramos num poema gaiato (“Não leiam”) e a atriz Camila Morgado no emocionante “O silêncio”, a respeito de sua relação com o pai que não chegou a conhecer. Soube intercalar canções novas de sua autoria e jovens autores com o melhor da MPB e do pop nacional, em que há poética de primeira para dar e vender. Momentos líricos, momentos tensos, momentos amorosos. Nas doses certas.
Tive o prazer de ajudá-la a elaborar este roteiro que ela me deu a honra de assinarmos juntos, mas não se enganem. Ana tem o domínio total do que quer, do que busca e tem a mão forte sobre tudo o que faz. Não aceita imposições. É muito verdadeira e sabe que às vezes é preciso dar ao público não apenas o que ele quer, mas também o que ele nem sabe que quer por não ainda conhecer. Ou seja, é possível ser uma artista pop e contemporânea e disseminar poesia e reflexão, por que não?
É muito emocionante assistir a este novo show junto com seu público, normalmente super eufórico e efusivo, mas que desta vez se mostrou concentrado, respeitoso e emocionado com esta sua nova faceta. Com também é bonito observar de perto sua evolução como cantora, compositora, poeta e “cantriz” sobre o palco, e ver que apesar de ter conquistado milhares de fãs e tantos sucessos-chiclete ela não se sente confortável em apenas deitar sobre os louros da fama. Ela quer dizer algo mais, provocar os fãs, sair da zona de conforto. Isto para mim é ser um artista de verdade. Preparem-se porque o novo ruído de Ana é intenso, reverbera dentro da gente e transcende ao tempo do show.
​​​​​​​​Rodrigo Faour
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