BLOG

23.mar

Ana Carolina, o EP “Ruído branco” e o que se quer ser, ou falar, porque o momento é este

17191025_1272371699505133_7241464222537317642_n

Extraídas do primeiro lançamento editorial e correspondente show-livro homônimo, as faixas deste EP “Ruído branco – Poesias musicadas“, o primeiro da carreira de Ana Carolina lançado em 10 de março último – uma semana antes do anunciado -, compreendem as quatro poesias musicadas escritas pela cantora, compositora, multi-instrumentista e escritora mineira em “Ruído branco” (Planeta, 2016). Assim como o próprio livro, os versos desfilados em canções tão distintas quanto são as melodias ali embaladas sinalizam os ares e anseios da viagem músico-poético-literária então inédita de Ana por novas paisagens em sua trajetória autoral.

A pele“, simultaneamente disponibilizada em videoclipe no canal YouTube da artista, musica em rap os versos traduzidos como corpo, fundo e medo ocidentais de uma pele que é a do mundo. A pele muda, vária e viva-morta continuamente descrita ao longo do poema testemunha a passagem do tempo e expressões remanescentes de dores – calos de caminho -, autoflagelos e histórias por que o(s) corpo(s) é/são marcado(s). Tudo só vale a pena se cada uma das buscas assinaladas em cada marca valer a própria pele.

Velho piano” é soturnidade. Os recursos sonoros empregados para simular, ou melhor, ambientar o desafinar das teclas de um velho piano sob a água escura verdadeiramente afogam quem ouve no concerto dado por um homem tocando há muitos anos no fundo do mar. Tal como o vídeo reproduzido junto ao poema-canção durante o show, “Velho piano” impressiona pela riqueza de acordes minuciosamente aí conjugados. Ana comanda o toque de todos os instrumentos e programações da faixa.

Qual é?” é crônica googleísta da pós-modernidade ateia imersa em abismos, cinismos, babaquices, fama e suas artificialidades fetichizadas. O líquido sal caído do rosto em meio à fatalidade da vez é ora pranto de amores perdidos no banco de sampler, ora banalidade de uma criatura maldosa do próprio buffer. A melodia indefinida é flexível às diversas facetas das personas assumidas, ou presumidas, por Ana no poema-relato, e dá conta, sonoramente falando, das realidades, traumas, enganos, lembranças, pedaços de vida de quem, hoje, é sua mulher, seu mito, o que absolutamente quiser. “Qual é?” é para quem pode. Junto a “Velho piano“, é uma das melhores canções do EP.

SOM/Ruído branco” é seu poema homônimo declamado e ricamente assinalado pelos diversos sons dos instrumentos descritos entre os versos e suas respectivas intenções descritas, constituindo de fato o espectro sonoro plural traduzido pelo ruído branco em âmbito musical/melódico.

Os novos caminhos trilhados por Ana neste momento dos seus quase 18 anos de biodiscografia não foram casualmente reunidos na brevidade de um registro fonográfico como um EP. A mensagem, curta e incisiva, precisava ser única. E rápida: porque nova é a compreensão da palavra enquanto objeto, e sujeito, do próprio fazer literário, outros também serão os produtos desta catarse, ou catarses. O momento de Ana é este, e a melhor recomendação é saboreá-lo junto a ela. Ou não, caso a identificação não tenha se dado. Ninguém é obrigada/o a nada, mas a mineira não vai mudar sua postura para agradar ninguém.

https://musicartediversao.blogspot.com.br/2017/03/ana-carolina-o-ep-ruido-branco-e-o-que.html
Autor: Thainá Seriz

Veja, ouça, Som (Ruido Branco).

16.mar

Já leu o poema ‘Som (Ruído Branco)’?

Aproveite e assista agora ao primeiro poema musicado do livro. Veja, ouça e experencie ‘Som (Ruído Branco)’:

#ruídobrancoac

“Não vale a pena o que não vale a pele.”

15.mar

Confira o vídeo de ‘A pele’, poema presente no livro ‘Ruído Branco’!
Saiba mais sobre o livro em http://www.ruidobrancoanacarolina.com.br/.
#ruídobrancoac

 

Ruído Branco – EP nas plataformas digitais.

13.mar

17191025_1272371699505133_7241464222537317642_n

Disponível nas plataformas digitais a partir de hoje, 10 de março de 2017, uma semana antes do previsto, o EP Ruído branco –  Poesias musicadas (Armazém / Sony Music), de Ana Carolina, tem sutilezas, mas confirma as impressões de quem já ouviu as quatro poesias musicadas no show Ruído branco, em turnê pelo Brasil desde janeiro. As quatro gravações de estúdio seguem, em essência, o formato dos números vistos no show baseado no primeiro livro da cantora, compositora, instrumentista e escritora mineira, também intitulado Ruído branco e lançado em dezembro de 2016 com poemas, pinturas e textos em prosa.
São do livro os quatro poemas que ganharam melodias (de Ana) e/ou sons. Faixa que abre o disco, A pele se desprende mais do show. De início, a voz grave da cantora parece mais declamar os versos do poema entre ruídos e efeitos sonoros. Aos poucos, A pele ganha os contornos de um rap de batida seca que embute sussurros. Já Velho piano – música de Ana que não deve ser confundida com a homônima composição de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, lançada em disco em 1982 em gravações quase simultâneas de Dori e da cantora Elizeth Cardoso (1920 – 1990) – é a faixa do EP que mais se aproxima do padrão convencional da canção. Ainda assim, efeitos sonoros e até um toque dissonante do piano reiteram a boa intenção de Ana de fugir dos códigos da própria obra autoral neste projeto multimídia que já abarca livro, show, disco e clipes (o de A pele foi lançado hoje, simultaneamente com o EP). Nessa faixa, vale ressaltar, a artista toca todos os instrumentos e pilota as programações.
Poema verborrágico, Qual é? é a faixa menos bem resolvida do disco. O ponto fraco. Deixa a sensação de que falta melodia para tantas palavras – como, aliás, o número do show já havia sinalizado. Por fim, Som / Ruído branco resulta muito interessante no disco. É uma poesia declamada, e não musicada, mas os sons inseridos ao longo da faixa, em sintonia com os versos, revestem o poema de grande musicalidade. São sons de sanfona, oboé, fagote, apito e outro instrumentos citados ao longo dos versos da poeta de lírica passionalidade.
No geral, o EP Ruído branco – Poesias musicadas mostra que Ana Carolina está tentando mudar o disco. E, somente por isso, o bom EP já merece ser ouvido com generosa atenção. Que o EP seja o ponto de partida para álbum em que a artista vire o disco e a mesa, dando continuidade a um necessário processo de renovação da obra autoral. (Cotação: * * * 1/2)Mauro Ferreira – http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/post/bom-ep-de-ana-carolina-ecoa-efeitos-e-impressoes-do-show-ruido-branco.html

(Crédito da imagem: capa do EP Ruído branco – Poesias musicadas. Ana Carolina em foto de Nelson Faria)

Trecho de Velho Piano, poema de “Ruído Branco”

02.fev

Velho Piano Quero queimar meu navio Deixar a corda no rio Na cinza da estrada Nada Na água escura Nada é loucura Nem Deus me espera No meio das pedras…

O novo show de Ana Carolina, Ruído Branco.

01.fev

Rodrigo Faour, que assina com Ana Carolina o roteiro do show “Ruido Branco”, escreveu suas impressões na estreia carioca da apresentação, que estará dia 9 de fevereiro no Teatro Santander em SP. Confira:
“Ruído branco” – um show que emociona além do tempo regulamentar.
O novo show de Ana Carolina é diferente de tudo o que se poderia esperar de um “show de Ana Carolina”. Ao invés de se divertir com suas baladas românticas, sambas ou canções dançantes, este exige mais concentração. É para se apreciar atento e senti-lo dentro da alma. Num mundo cada vez mais histérico, maniqueísta e superficial, eis que me deparo com um espetáculo experimental, poético, interiorizado, reflexivo, profundo, em que a gente sai mexido, desnudado, querendo voltar.
Sentadinho na primeira fila do Teatro Bradesco (RJ), esqueci a amiga e me encantei com a Artista com A maiúsculo que estava diante de mim. Uma cantora colecionadora de hits que, aos 18 anos de carreira, teve a coragem de abrir mão de todo o seu repertório e criar algo totalmente novo, expondo pela primeira vez suas inquietações existenciais, motivada pelo seu livro de poemas e reflexões recém-lançado, “Ruído branco”. Pela primeira vez seu “eu” verdadeiro aparece na frente do eu-poético das tantas canções que interpretara até então.
É claro que este mergulho dentro de si não a fez deixar ser expressionista, pois ela nunca foi intérprete de medir ou regular emoções. Elas estão lá – cortantes, fulgurantes –, mas o apelo é outro. E os temas, muito mais diversificados. Com direito também a vídeos idealizados, filmados ou editados por ela. Por mais que já soubesse previamente de todo esse teor multimídia do show – pois acompanhei os ensaios – o impacto de vê-la ali desnudando seus fantasmas, fantasias, dores, amores, paranoias e anarquias acumulados pela vida dessa forma tão criativa – foi de arrepiar.
Logo no poema de abertura, “Rotatória”, declamado por Maria Bethânia, já se vê o teor existencial do show. Ana também abre o próprio livro e recita alguns outros que versam sobre sua ambiguidade sexual (“Eu e eu”), suicídio (“Andaime”) ou sobre o amor por sua companheira (“Pra ela”). Decidiu também musicar alguns que são verdadeiros mosaicos de pura arte pop comparando nosso interior com a nossa carcaça (“A pele”) e a situação caótica do planeta atual (“Qual é”). Mais adiante vamos nos deparar no telão com o ator Lázaro Ramos num poema gaiato (“Não leiam”) e a atriz Camila Morgado no emocionante “O silêncio”, a respeito de sua relação com o pai que não chegou a conhecer. Soube intercalar canções novas de sua autoria e jovens autores com o melhor da MPB e do pop nacional, em que há poética de primeira para dar e vender. Momentos líricos, momentos tensos, momentos amorosos. Nas doses certas.
Tive o prazer de ajudá-la a elaborar este roteiro que ela me deu a honra de assinarmos juntos, mas não se enganem. Ana tem o domínio total do que quer, do que busca e tem a mão forte sobre tudo o que faz. Não aceita imposições. É muito verdadeira e sabe que às vezes é preciso dar ao público não apenas o que ele quer, mas também o que ele nem sabe que quer por não ainda conhecer. Ou seja, é possível ser uma artista pop e contemporânea e disseminar poesia e reflexão, por que não?
É muito emocionante assistir a este novo show junto com seu público, normalmente super eufórico e efusivo, mas que desta vez se mostrou concentrado, respeitoso e emocionado com esta sua nova faceta. Com também é bonito observar de perto sua evolução como cantora, compositora, poeta e “cantriz” sobre o palco, e ver que apesar de ter conquistado milhares de fãs e tantos sucessos-chiclete ela não se sente confortável em apenas deitar sobre os louros da fama. Ela quer dizer algo mais, provocar os fãs, sair da zona de conforto. Isto para mim é ser um artista de verdade. Preparem-se porque o novo ruído de Ana é intenso, reverbera dentro da gente e transcende ao tempo do show.
​​​​​​​​Rodrigo Faour
16473197_1686590994688489_8602964478108525852_n

Estréia “Ruído Branco”, novo show de Ana Carolina.

20.jan

16114188_1669122209768701_2294134507656430723_n

Ana Carolina estreia novo show, “Ruído
Branco”, inspirado em seu livro de poesias
Lançado em dezembro de 2016, “Ruído Branco” apresenta
suas poesias, contos e pinturas.
O “show-livro” também contará com músicas já consagradas da
cantora, poemas musicados e versões de canções que a
inspiram
No dia 27 de janeiro, Ana Carolina estreia seu novo show, Ruído Branco, no Teatro
Bradesco, no Rio de Janeiro, e segue para São Paulo, no dia 09 de fevereiro, no Teatro
Santander. A produção inédita é descrita pela cantora como “show-livro”, com
projeções criadas a partir dos seus poemas e com declamações de Maria Bethânia,
com “Rotatória”, Lázaro Ramos, com “Não Leiam”, entre outros. Ana Carolina cantará
algumas canções de outros compositores que admira, como “Todo sentimento”, de
Chico Buarque/Cristóvão Bastos, “Beijo Partido”, do também mineiro Toninho Horta,
“Paula e Bebeto”, de Caetano/Milton Nascimento, “Vai que dá certo”, de Emerson
Leal, “Oceano”, de Djavan, entre outras. Enfim mostrará as melodias que fez para as
poesias musicadas que seus leitores conhecem apenas as letras: “A Pele”, “O Velho
Piano” e “Qual é” (esta já apresentada em seu show solo).
O “show-livro” não se trata de uma obra intimista: é uma experiência de música,
literatura e arte visual, com vídeos concebidos a partir dos poemas escritos. O
espetáculo é uma “obra viva” e apresenta, no mesmo palco, alguns dos muitos
talentos da artista, que estará acompanhada pelo músico, tecladista violonista e
programador Thiago Anthoni.
A produção inspirada em um livro é a primeira em que o autor, tanto da obra literária,
quanto do show, são a mesma pessoa.
“Ruído Branco foi uma surpresa para mim. Depois de receber o convite da editora para
fazer um livro, reuni o material que escrevi ao longo da vida, sem pretensão de um dia
escrever um livro. Dediquei tempo para novos escritos, acrescentei minhas pinturas na
edição final e achei que seria bom unir música e poesia no mesmo projeto. O show
Ruído Branco é o resultado da união das minhas paixões.”, contou a cantora.
O livro é a primeira incursão literária de Ana Carolina e reúne poesias, contos, letras de
canções inéditas, além de reproduções dos quadros que pinta.
“Ruído Branco não é obra de iniciante, mas de veterana da escureza. Sua estreia já
nasceu antiga, como antologia. Parece escritora comemorando 20 anos de carreira. Ela
pode passar o discurso de que não tem nenhuma pretensão, de que está brincando, de
que são versinhos. Não caia nesse papo de humildade. Ou o poema sangra ou o poema
corta, não há meio termo na passionalidade lírica de AC. Ou é quente ou é infernal.”
Fabrício Carpinejar
“O homem que há em mim se apaixonou perdidamente pela mulher que sou.”
Ruído Branco foi recebido com grande entusiasmo pelos fãs da cantora, que chegaram
a dormir em filas nas vésperas dos lançamentos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
O livro de capa dura apresenta algumas telas e fotos exclusivas de sua intimidade,
além de textos nos gêneros poesia urbana e prosa poética, onde os leitores são
apresentados à escritora Ana Carolina. Suas páginas abrigam mais de 50 poesias,
prosas e letras inéditas escritas ao longo da sua vida e divididas em quatro temas:
POESIA / PROSA / POESIA MUSICADA E CADERNINHO (um fac-símile de textos escritos
em uma máquina de escrever quando Ana tinha apenas 12 anos!).
Ana se expõe como poucas vezes:
“Lembro-me criança brincando sentada no chão do quintal e minha mãe chegando com
sua sombra que me cobria inteira. Trago comigo essa sombra mesmo depois de muito
tempo. Quando estou mal ainda posso ficar debaixo dela.”
Ana Carolina.

Teatro Bradesco Rio!
Dia 27 de Janeiro de 2017
http://bit.ly/2iJ04BA

Show Ruído Branco estréia no Rio de Janeiro

29.dez

evento175_banner

RUÍDO BRANCO

A cantora, compositora e multi instrumentista mineira Ana Carolina, apresenta dia 27/1/17 no Teatro Bradesco, seu mais novo show – “Ruído Branco”.

Descrito pela artista como um ” show-livro”, o novo espetáculo tem como espinha dorsal seu livro ” Ruído Branco”, primeira incursão literária no qual reúne poesias, contos, letras de canções inéditas, além de reproduções dos quadros que pinta.

Acompanhada pelo multi-Instrumentista Mikael Mutti, Ana interpretará canções próprias e de compositores que admira como ” Oceano” de Djavan e alguns poemas musicados como ” A Pele “, ” Qual é” e ” O velho piano”.

Em “Ruído Branco”, Ana Carolina explora sua relação com o universo das letras, suas influências literárias e sua paixão pela prosa e poesia. O show é uma obra viva, carregada de cores autobiográficas e que reúne no mesmo palco alguns dos muitos talentos da artista.

Lançado em Dezembro de 2016 pela editora Planeta, “Ruído Branco” foi recebido com grande entusiasmo pelos fãs da cantora que chegaram a dormir nas filas nas vésperas dos lançamentos no Rio de Janeiro e São Paulo.

Dia 27 de Janeiro – Teatro Bradesco – Show Ruído Branco – Rio de Janeiro
http://www.teatrobradescorio.com.br

Ana Carolina visita passado e trata de conflitos internos em livro de estreia

23.dez

16357224

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/12/1843848-ana-carolina-visita-passado-e-trata-de-conflitos-internos-em-livro-de-estreia.shtml

“Ruído Branco” e a Ana Carolina de todo mundo

20.dez

No primeiro livro, artista se divide em “Poesia”, “Prosa”, “Poesia Musicada” e “Caderninho”

Pierre Bourdieu (1930–2002) alertara no ensaio A ilusão biográfica (1986) sobre o perigo de condicionar integralmente a leitura de uma obra — forma, contexto, estilo e conteúdo — a elementos da trajetória pessoal de seu autor ou autora, como se um(a) explicasse o outro e o outro este (vago) um(a). A despeito de debates acirrados e intermináveis da questão, obviamente válidos, Ana Carolina avisa: “Esta é uma poesia-prosa autobiográfica”. Ruído Branco (Editora Planeta, 2016) nubla todas as distinções entre a compositora, a poeta e quaisquer personas que aqui se podem convergir. A Ana Carolina deste Ruído conflui sons, (outras) cores, vazios, dilemas e escuridões que, de tão complexas, ruidam no silêncio-paz da palavra de grito traído. A experiência é sinérgica: queima, porque o fogo é sua forja. Fere, porque ferida. Sangra e faz sangrar até a última gota, primordial de um eu reinventado na dor de ausências/presenças, vazios e alguns silêncios autoimpostos. Experiência de mulher, da menina-mulher que sempre a persegue para protegê-la, e ao corpo — sede encarnada d’alma, de si, coisa intermitentemente desconhecida. Da mulher à menina, da outra para o eu-menina ou de uma fronteira a outra da mesma imagem (ir)refletida, Ana atravessa em quatro seções o árduo caminho de ser, ver e ouvir uma solidão, a sua, fazendo-o busca para o silêncio companheiro, enfim reconciliado com a própria história. Ou não.
“Poesia” é pulo ao mar. A mulher que é, tornou-se. E assim se forjou. É o outro do “outro aqui dentro”. Se há homem em mulher e mulher em homem, ambos, então, apaixonam-se perdidamente no “meu silêncio entrecortado”. De si são sempre alheios. As ruas, físicas ou não, síntese deste movimento, atravessam-se calmas, embora o desejo em ser o que não se é devasse o de dentro. O canto levanta as memórias, suas e de si, inscritas na pele, travessia de dores e passados reinventados entre arrependimentos presentes. Este escuro “tem outro escuro dentro”. O escuro é o teatro sigiloso de si consigo mesma. Palavra é choro e, da música do MP3, Ana salta para pedir consolo. Logo ela, colo de todas/todos que lhe pediram socorro e companhia, mesmo de lágrimas, nos momentos de maior dor. Sabê-lo é música e, se é música, é toque. E colo de novo. É chão. Não há outra solução que o abraço definitivo, “pra sempre”, mesmo correndo-se o risco de não voltar a si. Ou a mim, ou a nós. A dor é seca, e o problema é nunca resolvê-la. Antes conseguisse submetê-la às palavras. A dor tem todas as idades.
“Prosa” é história dentro de histórias, lembrança do que foi ou se queria ser. E se é. Há a passagem pelas ruas do tempo em Firenze, onde esse caminhar entrecortou a solidão e foi ele mesmo solidão, choro de angústias passadas e recentes, dos erros silenciosos nunca contados, da completa efusão e tristeza repentinas, ou dos excessos e faltas. Há a descoberta de si em si mesma, e no corpo, ou corpos, em gozo. Ir era tão prazeroso quanto se derramar no desejo. “Não sabia sequer os nomes.” Sem dúvida, foi como ver um “arco-íris no céu”. Há a Amsterdã vista do quarto de um hotel — aliás, conhecida num quarto de hotel. Há o revolver de memórias ou lembranças furtivas do inconsciente na sala forrada de jornais e na tela, ou lona, em branco. Nem o vermelho basta para esconder o que se quer esconder, ou ao menos fingir. Não há azul, ou cinza, ou o violeta violento do envolvimento entre o vermelho-refúgio-esconderijo e o azul-homem-e-seu-inconsciente. Ana está em cima, no meio, entre. É “aquilo que passa”. Não há nome, significado ou fala que dê conta do ímpeto de ver-se acompanhada “das minhas dúvidas, do meu passado, da minha força”. O Café de Flore de Paris integra o pequeno grande pedaço da memória do amor que fervilhava e desfez-se nas “diferenças conversadas” e outros defeitos. A distância e o silêncio consomem, mesmo entre iguais. Nunca será possível concluir nada quando se trata do outro, ou outra. Não há calma. No fim, vai-se ao encontro e ao amor tudo torna. Até na imaginação, e no silêncio que aí há, forja-se a existência de si mesma, e da outra irmã, para proteção. Essa dor é terreno onde tudo cabe e ainda pode doer. É poço-sede de uma raiva intermitente por não realizar um a um os sonhos sonhados ontem, hoje e sempre. A selva que há em Ana se cala, e o nível do rio-água-espelho-de-si aumenta a ponto de não conseguir voltar. Ser quem se é, ou busca, exige uma travessia sem retorno, talvez a lugar nenhum. Se este movimento é caminho, então, que nunca se volte. Ou se arrependa. Também aqui, Ana mostra algumas pinturas ainda não conhecidas pelo grande público.

1-him-yjiuzva5sjb03o7fuq

“Poesia musicada” traz composições inéditas e sem registro fonográfico, embora Qual é? (Ana Carolina) tenha ganhado espaço na turnê do espetáculo Solo, iniciada em novembro de 2015. O “ruído branco” que dá nome ao livro também aparece no soar caótico de seus versos. A pele deste corpo, do fundo, do medo ou não do incansável, e do desconhecido, é a expressão que fica. Pele é poro, e poro tudo transmuta. Sacia à medida que é preenchido. Nada vem a qualquer preço. Se vale a pena, então, vale a pele. As poesias musicadas são mais uma dentre as várias peles de Ana dispostas nos momentos capturados pelas lentes de Nelson Faria.
“Caderninho” condensa as poesias escritas pela menina de 11/12 anos, que já em tenra palavra se deparava com seus sepulcros, alguns silêncios, almas penadas e os rastros dos pés de qualquer amor “no peito da gente”. Ela espera sem saber por quem mais pode esperar, a não ser por si mesma entre os próprios corredores d’alma. A Ana menina ainda escreve para não ser sempre sua única destinatária, embora, hoje, sua mensagem seja acolhida por tantas outras e vários outros. Na menina e na mulher, a felicidade existe entre uma tristeza quieta, feridas abertas para a autocura nunca totalmente alcançável. O tempo não as desperdiçou. Não desperdiçaria. A saudade chora, e a lágrima recolhida é melodia que embala e corta feito vidro na pele. Perdão dói, e na mulher não para de doer. Não parará. É preciso ter coragem para ser e viver mulher neste mundo.
Ana é coragem. Ana é liberdade. Ana é choro de branco mar que entra pelos olhos, agita e regurgita o que (me) invento. Não quero saber quem ela é, como vive, o que ouve ou sente. Se o fizer, irei desconhecê-la para sempre. Ler, cantar e ouvir Ana Carolina é desconhecê-la ainda mais, porque é a mim que encontro no escuro do escuro de dentro. A busca é pele e, se é pele, vale a pena.

1-c7ld4yjebzm7pmqup87xng

Texto: Thainá Seriz
Fotos: Nelson Faria
Todos os direitos: A Mulher do Piolho
www.amulherdopiolho.com.br

viagra for sale
buy viagra online
discount viagra pills
cheapest viagra
buy viagra with discount
free viagra
buy isoptin
buy viagra new york
best place to buy viagra
buy cheap viagra
cheapest viagra
cheapest cialis
buy viagra now
buy real viagra blog
buy viagra without prescription
buy cheap cialis
non prescription viagra
buy viagra internet
buy viagra usa
pfizer viagra free samples
cheap price viagra
cheap viagra online
viagra for sale
discount viagra sale